Neste 7 de abril, o calendário brasileiro reserva uma coincidência simbólica: celebra-se, simultaneamente, o Dia Mundial da Saúde e o Dia do Jornalista. Longe de ser apenas um acaso, a data reforça uma máxima das democracias modernas: uma sociedade só é verdadeiramente saudável se tiver acesso a informações precisas, transparentes e livres de censura.
Contudo, em 2026, o “check-up” da liberdade de imprensa no Brasil revela sintomas preocupantes. Se por um lado o país avançou institucionalmente, por outro, os profissionais da notícia enfrentam uma mutação da censura: ela deixou de ser apenas física para se tornar digital e, cada vez mais, judicial.
Um dos maiores avanços políticos do último período é o debate sobre o combate ao Assédio Judicial — conhecido internacionalmente como SLAPP suits (Strategic Lawsuits Against Public Participation). São processos movidos por figuras poderosas que não buscam necessariamente a justiça, mas sim o sufocamento financeiro e psicológico de jornalistas.
Tramitam hoje no Congresso e no Judiciário medidas que visam permitir que magistrados identifiquem precocemente o abuso de direito e extingam ações que busquem apenas intimidar a investigação jornalística. Proteger o jornalista contra o uso predatório do sistema legal é, em última análise, proteger o direito do cidadão de ser informado.
Após anos de quedas consecutivas nos índices globais de liberdade de imprensa — como os formulados pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) —, o Brasil apresenta sinais de estabilização, mas ainda ocupa posições distantes do ideal.
O país ainda é considerado um território perigoso para jornalistas investigativos em áreas de fronteira, conflitos agrários e questões ambientais. Embora as instituições tenham retomado o fôlego, a lentidão na resolução de crimes contra comunicadores mantém o Brasil em uma zona de vigilância internacional.
Se os tribunais são usados como armas, as redes sociais tornaram-se campos de batalha. Em 2026, a violência política contra jornalistas — especialmente contra mulheres — atingiu níveis alarmantes de sofisticação.
O assédio digital não se limita mais a xingamentos; envolve o uso de milícias digitais e disparos em massa para descredibilizar a reputação do profissional. Esse ambiente hostil cria o fenômeno da “autocensura”: o jornalista deixa de assinar uma matéria ou de investigar um tema delicado para evitar ser alvo de ataques coordenados que invadem sua esfera privada.
A liberdade de expressão não é um privilégio da categoria jornalística, mas um direito de toda a sociedade. Ao fortalecer leis contra o assédio judicial e combater a violência política nas redes, o Estado brasileiro não está apenas protegendo um profissional, mas garantindo que o “corpo social” continue recebendo o oxigênio da verdade.
Neste 7 de abril, a mensagem é clara: sem jornalismo livre, a democracia adoece. A proteção aos comunicadores é o remédio necessário para uma nação que deseja respirar transparência.