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O Impacto das Mulheres na Formulação de Políticas Públicas
Maria Aparecida dos Santos

Maria Aparecida dos Santos

Secretária do Solidariedade Mulher

As mulheres na política brasileira estão conscientes da necessidade de mudança e têm desempenhado um papel significativo na formulação de políticas públicas em diversas áreas.

O direito ao voto das mulheres no Brasil foi conquistado em 1932, marcando o início de uma jornada repleta de desafios e algumas vitórias na participação política feminina. Apesar dos avanços, a representatividade das mulheres no Congresso Nacional ainda é decepcionante nos dias de hoje. Apenas 15% dos membros da Câmara dos Deputados e 12% do Senado Federal são mulheres, refletindo uma das disparidades de gênero mais marcantes na América do Sul.

A violência política de gênero, que inclui ataques misóginos, assédio e até mesmo assassinatos, como o trágico caso de Marielle Franco, destaca os desafios persistentes que as mulheres enfrentam ao ingressar e permanecer na esfera política. Apesar das adversidades, as mulheres na política brasileira estão conscientes da necessidade de mudança e têm desempenhado um papel significativo na formulação de políticas públicas em diversas áreas.

Um exemplo notável desse impacto é a implementação de leis voltadas para combater a violência de gênero, garantir a igualdade salarial e promover uma representação mais equitativa das mulheres em posições de liderança:

Lei da Igualdade Salarial entre mulheres e homens

Uma reivindicação histórica das mulheres, a Lei da Igualdade Salarial e de Critérios Remuneratórios entre mulheres e homens foi sancionada no dia 3 de julho, estabelecendo a obrigatoriedade da política de salário igual para trabalho igual. Além de multa, a legislação exige transparência de relatórios remuneratórios para empresas de médio e grande porte.

Licença-maternidade para beneficiadas do Bolsa-Atleta

Até hoje, 2023, atletas de alto rendimento beneficiadas pelo Bolsa Atleta não podiam manter o benefício caso engravidassem e precisassem de licença-maternidade.

Proteção imediata para mulheres que denunciam violência doméstica

A nova Lei acrescenta parágrafos ao artigo 19 da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) para conferir maior efetividade à aplicação das medidas protetivas de urgência. Ela também estabelece que a causa ou a motivação dos atos de violência e a condição do agressor ou da ofendida não excluem a aplicação célere da legislação. Confira as principais mudanças:

  • Determina concessão da medida protetiva de urgência independentemente de registro de boletim de ocorrência;
  • Concede o devido valor à palavra da vítima;
  • Determina que medidas protetivas não têm prazo;
  • Configura toda situação de violência doméstica e familiar contra a mulher como violência baseada no gênero.

Lei Maria da Penha

A Lei 11.340, mais conhecida por Lei Maria da Penha, garante a proteção contra a violência doméstica e familiar contra a mulher, além de assistência às vítimas e seus dependentes.

Lei Joana Maranhão

A Lei 12.650, também conhecida como Lei Joana Maranhão, altera o Código Penal para dar mais tempo para que a criança ou adolescente que tenha sofrido abuso sexual possa ingressar com uma ação penal contra o agressor. Agora as vítimas possuem até 20 anos após a prática dos crimes para denunciarem o agressor, contando a partir dos 18 anos da vítima para o início da prescrição.

Lei Carolina Dieckmann

A Lei 12.737, mais conhecida por Lei Carolina Dieckmann, combate o uso indevido da internet para a obtenção de informações e registros pessoais, sem consentimento da vítima, com o objetivo de extorsão.

O impacto das mulheres na formulação de políticas públicas é inegável. Ao liderarem projetos que abordam questões fundamentais como gênero, saúde e educação, as mulheres não apenas promovem a igualdade e a justiça social, mas também inspiram mudanças transformadoras. É fundamental reconhecer e apoiar o papel das mulheres na política para construir um futuro mais justo e inclusivo para todos.