NÃO INTERESSA AO BRASIL FAZER “OS ESTADOS UNIDOS GRANDES DE NOVO”
A política do atual governo norte-americano é claramente contrária aos interesses do Brasil.
O presidente dos Estados Unidos declarou em dezembro do ano passado que a Doutrina Monroe “está viva e forte”. Tal Doutrina, formulada pelo presidente norte-americano Monroe há 203 anos, era que as Américas (do Norte, Central, e do Sul) e o Caribe seriam de influência exclusiva dos Estados Unidos, impedindo qualquer presença nas Américas de países de outros continentes. Os Estados Unidos seriam a casa; o restante das Américas, o quintal.
Volta e meia, a tal Doutrina Monroe retornou. Por exemplo, nas décadas de 1960 e 1970, anos da Guerra Fria, voltou com ditaduras militares articuladas e apoiadas pelos Estados Unidos, como ocorreu no Brasil. Ou com intervenções diretas de militares norte-americanos. Ou com bloqueios econômicos para sufocar governos não submissos.
Com Trump, está e volta a doutrina explícita de controle econômico, militar, e político das Américas. Em dezembro passado, ele declarou oficialmente: “O povo americano sempre controlará seu destino em nosso hemisfério – e não nações estrangeiras (leia-se China, Rússia, Europa), ou instituições globalistas (leia-se ONU, BRICS)”.
E neste março de 2026, ele convidou somente países cujos governos se alinham à sua política para formar uma coalizão contra o tráfico de entorpecentes. O objetivo é outro. Nem o México foi convidado, país que faz fronteira com os Estados Unidos, cujo governo combate os cartéis de drogas. Isso porque o governo mexicano atual age com independência em relação a seu vizinho, sem beligerância.
Mas a volta de passados sombrios não para aí. Além da Doutrina Monroe, voltou outra política de intimidação e agressão, formulada por um presidente daquele país no início do século passado. A doutrina do “Big Stick” (do “Grande Porrete”), que usava o provérbio: “Fale com suavidade, mas tendo à mão um grande porrete”. O governo Trump dispensou a primeira parte do provérbio. Já vai direto ameaçando com o porrete da guerra, da intervenção militar, do tarifaço, do bloqueio econômico, da intenção declarada de anexar países e territórios (como o Canadá, e a Groenlândia).
Para amedrontar a todos, usa exemplos de agressão a governos não submissos: invasão militar com terrorismo de Estado (na Venezuela, no Irã); cerco militar (bases militares e frotas navais em várias partes do mundo); tarifaços (como no Brasil, sob o argumento de proteger seus aliados políticos brasileiros).
Não interessa ao Brasil apoiar o “Faça América Grande de Novo” , o MAGA. Jamais devemos tolerar o que fizeram políticos brasileiros no ano passado colocando o boné do MAGA, desfraldando nas ruas a bandeira norte-americana, e apoiando o tarifaço contra o Brasil.
Estes políticos atuais revivem a deplorável frase “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, formulada por um ministro da Justiça e das Relações Exteriores da ditadura militar de 1964.
O que interessa ao Brasil é nossa independência, nossa soberania, nosso direito de se relacionar e negociar com todos os países; a defesa de nosso território, de nossa economia, de nossa democracia, da paz.
Levemos isto em muita conta nas eleições de 2026.
Elói Pietá, membro do Diretório e da Executiva Nacional do Solidariedade.