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Sobre a comunicação on-line ou impressa de candidatos e candidatas nas campanha e pré-campanha
Elói Pietá

Elói Pietá

Diretor de projetos e programas políticos da Fundação 1º de Maio

Sobre a comunicação on-line ou impressa de candidatos e candidatas nas campanha e pré-campanha
O eleitor está, antes de tudo, preocupado com os próprios problemas. Por isso, candidatos(as) devem apresentar soluções que melhorem a vida das pessoas, e não colocar a si mesmos(as) no centro da campanha. Foto: Carol Gavino.

A) Uma contribuição, trazida para a pré-campanha e campanha eleitoral, inspirada em estudos de psicologia da sociedade e em experiências.

1- Esta ou aquela candidatura ainda não era uma preocupação da grande maioria das pessoas, menos de um mês antes das eleições nacionais e estaduais de 2022. Pesquisa indicava que 70% dos eleitores e eleitoras não sabiam, nem estavam ainda pensando, em quem votariam para deputado federal. Mas, elas tinham outras preocupações!

2- As pessoas vivem mais interessadas nos problemas delas, que não se limitam a conflitos que vivem. Também têm a ver com a capacidade de resolvê-los e com os princípios de vida que devem ser observados na sua solução. Por exemplo, se o problema é financeiro, “não roubar” é um princípio de vida que estabelece um limite em sua solução.

3- As pessoas não estão prioritariamente interessadas em você candidato(a) ouo pré-candidato(a), nem no que você aspira. Para elas, isso é um problema seu.

4- Só quando em quem votar, ou não votar, vira um problema posto à maioria das pessoas é que elas irão se preocupar como resolver esta questão específica que lhes afeta. Nas vésperas das eleições.

B) SOBRE A COMUNICAÇÃO DE CANDIDATOS(AS) E PRÉ-CANDIDATOS(AS)

5- Em consequência, a tática mais adequada da comunicação de candidatos (as) e pré-candidatos (as), até o breve período da campanha eleitoral, deve se voltar para os problemas ou desejos que vive seu provável eleitorado. E sempre que possível lhe indicar soluções.

6- O centro da atenção da comunicação do candidato (a) e pré-candidato (a) devem ser as necessidades e esperanças das pessoas e coletividades de territórios ou segmentos: o que querem? Quais os obstáculos que enfrentam para atingir seus desejos? Quem ou quais circunstâncias externas ou internas impedem a realização destas aspirações ou de seus valores? O que pode acontecer se o objetivo não for atendido? Qual ou quais as medidas devem ser tomadas para o sucesso pretendido? Como devem se mobilzar os interessados? Em que lhes posso ajudar?

7- As pessoas e coletividades devem sentir que o pré-candidato(a) e candidato(a) se identifica e sofre com suas necessidades. A proximidade e empatia com a causa das pessoas e coletividades é condição necessária, porém não suficiente. É preciso mostrar que o pré-candidato(a) e candidato(a) tem competência para apontar um caminho que derrote os obstáculos. Que se põe à disposição para contribuir. A imagem de competência para ajudar será mais crível se dita e testemunhada por terceiros beneficiados ou testemunhas.

C) DA POLARIZAÇÃO

8- O obstáculo que impede a solução do problema ou da realização dos valores das pessoas e coletividades é o adversário. Pode ser alguém com poder, ou uma instituição, ou um obstáculo material, ou um sistema. É necessário vencê-lo para solução do problema ou a realização dos desejos.

9- A polarização faz parte da comunicação. As pessoas e coletividades prestam mais atenção quando há disputa. Assim é uma partida final de um campeonato de futebol. Assim é sentir a compaixão da vítima e ter o desejo de punição do criminoso. Assim é a defesa da vegetação contra o desmatador. Assim é a disputa eleitoral.

D) DA MOBILIZAÇÃO

10- O candidato(a) e pré-candidato(a) devem ser incentivadores do agir, agentes de mobilização das pessoas e coletividades que devem ser sujeitos ativos do resultado pretendido. Eles não são super-homem ou supermulher.

E) O OBJETIVO DAS PESSOAS E COLETIVIDADES DEVE SER BEM DEFINIDO

11- O que se pretende atingir com ação e mobilização deve ser bem claro.

Se a vitória é evitar o despejo de uma comunidade, se é defender a vegetação contra a devastação, se é reduzir os dias de trabalho e a jornada semanal sem redução de salário. Sempre é uma esperança que realizada será um alívio, uma satisfação, uma mudança positiva na vida das pessoas e coletividades.

F) DA CLAREZA NA COMUNICAÇÃO

12- A clareza, a concisão, o fácil entendimento, devem ser qualidades perseguidas na comunicação. Informações laterais distraindo do foco, ou raciocínios complicados que pedem exegese, soarão como ruído e não como música atraente. Se estende demais, se complica, se exige interpretação de texto, afastará a atenção das pessoas a quem o pré-candidato ou pré-candidata se dirige.

G) DA ASSINATURA DO CANDIDATO(A) E PRÉ-CANDIDATO(A)

13- A identificação que assina a mensagem como candidato(a) e pré-candidato(a) trará mais pontos futuros para a campanha do que se esta notícia fosse a manchete ou o centro da comunicação. Que tal?

Notas: 1- Na comunicação presencial, os conceitos acima são muito úteis.