Fique por Dentro

Os efeitos nefastos da pandemia em relação à mulher

Mulher com a palma da mão na frente do rosto, simbolizando um "pare"
Publicado em: 21/maio/20   |   Autor: Denise Neri

Quando acreditamos que a sociedade está ficando mais consciente, nos chega a notícia que aumentaram os casos de violência contra a mulher durante a pandemia, no mundo todo e não somente no Brasil.
Dados não oficiais, mostram que comparando o mês de março e abril deste ano com os de 2019, é possível enxergar um crescimento dramático no número de casos.
Na China, aumentou em três vezes a quantidade de ocorrências, na França 32% e no Brasil uma alta de 9% de ligações para o número 180. No Rio de Janeiro tivemos um crescimento de mais de 50% e em São Paulo 44,9%, em relação ao mesmo período no ano passado. O feminicídio  também aumentou em 46,2%, de 13 para 19 mortes diárias.
As autoridades ainda acreditam que exista subnotificação, pois muitas vítimas, por estarem convivendo em isolamento social com os seus algozes, deixam de comunicar a violência por medo.
Existem vários tipos de violência contra a mulher, todas capituladas na Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha. São formas de violência contra a mulher:
Violência física: que se caracteriza por agressão contra a mulher, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
Violência psicológica: entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante a ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
Violência sexual: entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
Violência emocional: se caracteriza por qualquer atitude ou conduta que cause dano emocional ou diminuição da autoestima, tais como xingar, humilhar, intimidar, falar mal da mulher ou isolá-la do convívio familiar de parentes e amigos;
Violência patrimonial: entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
Violência moral: que se caracteriza por qualquer conduta que configure calúnia (imputar falsamente fato definido com crime), difamação (difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação) ou injúria (injuriar alguém, ofendendo lhe a dignidade ou o decoro).
A mulher não pode se calar, para fazer a denúncia de algum caso de violência, ela deve ligar para 180, número da Central de Atendimento à Mulher, a ligação é gratuita e o atendimento especializado para orientação e serviços públicos disponíveis para a população feminina em todo o país.
Para as localidades onde existam as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), o atendimento também é especializado. Onde não existam essas delegacias, as ocorrências podem ser feitas em qualquer delegacia de polícia. Hoje, já existe o boletim de ocorrência pela internet, mas caso seja necessário fazer exame de corpo de delito, o registro deve ser presencial.
Existe ainda o acompanhamento social, que pode ser feito pelos CRAS, que são os Centros de Referência de Assistência Social, os CREAS, que são os Centros de Referência Especializada de Assistência Social. Em algumas localidades possuem as casa-abrigo, onde as mulheres ameaçadas de morte podem ser encaminhadas.
Nossa luta é para que as mulheres não se calem diante da violência, pois quando a vítima se cala, o agressor não se sente responsabilizado e volta a agredir.
Uma psicóloga norte americana, Leonore Edna Walker, identificou o ciclo da agressão, dividindo-os em fases. Na 1ª há o aumento da tensão, quando o agressor se mostra mais tenso e irritado por qualquer coisa, mesmo as mais insignificantes. Em geral, a vítima tenta evitar qualquer atitude que possa provocar a ira do agressor, se sentindo culpada pelo comportamento dele.
Na fase 2, vem o ato de violência. O agressor explode, perde o controle e agride a vítima. Ele comete violência verbal, emocional, física, moral ou patrimonial. A mulher nessa fase se sente impossibilitada de reagir, mas aí sim, ela tem que se reerguer e buscar ajuda, denunciar, pedir que um parente ou amigo lhe conceda abrigo.
Na fase 3 o agressor se sente arrependido e passa a ter um comportamento carinhoso para se reconciliar com a vítima. A mulher fica feliz com a “mudança” de comportamento do agressor e acreditando nisso, volta a se relacionar com o mesmo. E como não poderia ser diferente, a tensão volta e começa a fase 1 novamente. Repetimos, as mulheres não podem se calar a partir da fase 1, denuncie, você terá a proteção social, uma rede de apoio, politicas públicas de proteção, ações integradas entre instituições e solidariedade para te empoderar. Você não precisa passar por isso.
A violência contra a mulher é uma violência contra toda sociedade. Já existem estudos que mulheres que são agredidas acabam faltando no seu trabalho em média 18 dias e o país pode perder R$ 1 bilhão por ano.
As mulheres são vítimas de violência o tempo todo, não é porque está com uma roupa curta, que está pedindo para ser assediada, o batom vermelho é por gosto, assim como não é qualidade da mulher que “trepa gritando”, como disse um senador da nossa República.
Não silencie diante de uma violência, temos que mudar as mentalidades e estereótipos que foram criados em relação à mulher.
Ninguém tem o direito de agredir uma mulher, as vítimas não estão sozinhas. Quando uma mulher é agredida, todas nós nos sentimos agredidas também.

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