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Jovens negros são vítimas de "genocídio simbólico", afirma CPI da Violência

um rosto de um jovem negro olhando para o chão com um olhar triste e vago.
Publicado em: 07/abril/16   |   Autor: Adriana Santos

Os dados apontados pelo Atlas da violência de 2016, atestam a importância de políticas públicas que visem coibir a violência contra a população negra do País, melhorar a qualidade de vida dessa parcela da população e conscientizar a população sobre o racismo presente na sociedade brasileira. A pesquisa, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no dia 22 de março, apresenta que, além da população brasileira continuar perecendo em relação à violência no País, a juventude negra também sofre com uma realidade de "guerra civil".

O documento mostra, entre outros dados, a estarrecedora taxa de homicídio que cresceu 21,4% entre 2004 e 2014. Segundo o IPEA (Pesquisa Econômica Aplicada), aos 21 anos, jovens negros têm 147% mais chances de sofrerem um homicídio que um jovem de outra cor de pele da mesma idade. A magnitude desse problema é ainda mais preocupante quando fica comprovado que a cota populacional que forma a juventude brasileira vai reduzir a partir de 2023.

O estudo também, embora afirme que a taxa de homicídios diminuiu em estados onde há menos negros (Sudeste e Sul) e cresceu nos estados com maior população de pardos e pretos (Nordeste), classifica como gritante e abissal a diferença na taxa entre negros e não-negros assassinados. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros concluiu que essa parcela da população brasileira está sendo vítima de um "genocídio* simbólico".

A deputada federal Rosângela Gomes (PRB-RJ) relatora da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), pontuou na ocasião, que nos últimos 30 anos, mais de 2,5 milhões de jovens foram assassinados. Para Rosângela, estamos vivendo um genocídio e um racismo institucional. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) propôs, em seu relatório, a criação de um plano nacional de enfrentamento de homicídio de jovens, com um foco mais específico em ações na população negra e pobre. A coordenação e execução seria feita pelo governo federal mediante aos programas ligados à igualdade racial e à juventude.

É imprescindível que o Estado aperfeiçoe as atividades para melhorar a condição de vida dos afrodescendentes, visto que são o grupo social que mais sofre com a violência no País.

*extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso.  

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